Sergio Cabral volta atrás por pressão da sociedade

sergiocabralGovernador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, volta atrás e diz que errou ao chamar publicamente de vândalos os 400 bombeiros que invadiram o Quartel Central da Corporação dia 03/06 último. Os bombeiros faziam manifestação em frente ao Quartel por melhorias de salários e condições de trabalho. Na ocasião, mais de 2.000 servidores invadiram o Quartel. O Batalhão de Choque foi acionado juntamente com o BOPE (a força de elite da Polícia Militar do Rio). Houve confrontos, os manifestantes receberam tratamento de criminosos por ordem do comando da Polícia e 439 deles foram presos. Logo após a prisão, o Governador Sérgio Cabral foi a televisão, em coletiva, repudiou a atitude dos bombeiros e os chamou de criminosos, de vândalos. O Governador foi infeliz em seu comentário e mais infeliz em suas atitudes. A luta dos bombeiros do Rio ( que tem o pior salário do Brasil) comoveu a sociedade inteira que prestou todo o tempo solidariedade e contribuições pela luta. A luta dos bombeiro foi então transferida, no segundo momento, para a a libertação dos 439 bombeiros presos (a quem o Governo atribuía crimes e resistia a qualquer proposta de liberdade) e pela anistia criminal e militar dos envolvidos. A luta durou quase todo o mês, com a ajuda de alguns parlamentares do Estado e apoio total e incondicional da sociedade fluminense, apesar dos esforços e relutância do Governador Sérgio Cabral, os bombeiros foram anistiados administrativamente, uma semana antes, libertados da prisão por força da justiça e pressão da sociedade. Na prática quer dizer que nenhuma ação administrativa poderá ser tomada contra esses bombeiros em retalhação ou punição pelo ato da invasão. Essa semana o Governador Sérgio Cabral assinou a Lei de Anistia Administrativa dos Bombeiros, não por iniciativa própria, mas por força da justiça e pressão social. Diante do fato, Sérgio Cabral volta a televisão para dizer que “estava errado” ao chamar os bombeiros de criminosos. Nesta quinta-feira, no congresso, a Câmara dos Deputados aprovaram a Lei 12.191/10 que dá anistia criminalmente a bombeiros e policiais envolvidos em manifestações por melhorias em 1997 em nove estados, incluindo os bombeiros do Rio. A Lei agora passa para o Senado. Vale lembrar que o governo usou todos os seus recursos para manter sua postura em relação aos bombeiros. Além de não aceitar qualquer diálogo, muitos parlamentares da esfera do Estado e Federal defenderam até o último instante a posição do Governador Sérgio Cabral. Os Bombeiros do Rio bem como a Polícia têm um dos piores salários do País. Curiosamente, o Rio é o Estado que recebe a maior verba Federal para a segurança pública. O Governo do Estado alega que boa parte dessa verba é destinada a pagamentos de salários dos inativos e beneficiários. No entanto, sabemos que uma grande fatia dessas verbas são empregadas em compras de equipamentos caríssimos como fuzis israelenses e aeronave americanas sub-sucateadas da Guerra do Vietnã a preços exorbitantes.  Super faturados? Quem sabe? O preço desses equipamentos e o valor investido não são divulgados. AÇÕES DO GOVERNO Sérgio Cabral não é todo ruim. Tem muitas boas atitudes políticas, como a criminalização da homofobia (foi o primeiro Estado brasileiro a impor punições a discriminaação homofóbica); Apoio a descriminalização da droga (nesse sentido, não se refere a liberação, mas a desclassificação criminal do usuário de droga. Na prática quer dizer que o usuário de droga deixa de ser caso de polícia para ser caso de saúde pública – o que pode obrigar o governo a tomar iniciativa de combate as drogas e disponibilizar tratamento para os viciados); Mas existem também algumas propostas duvidosas e muito mais polêmicas como a liberação das drogas (como política de combate ao tráfico) e a legalização do aborto. Para essa última Ele defende: “quem nunca teve uma namoradinha que fez um aborto?”. O que surpreende é que um homem tão moderno a esse ponto negligencie necessidades tão básicas, como melhoria de salários dos servidores, melhoria da educação pública, saúde pública e plano de segurança pública. O Estado do Rio de Janeiro não possui nenhum projeto ou mesmo só o plano de segurança pública. Todas as ações são tomadas sem qualquer planejamento, sem uma análise, sem conhecimento algum da natureza dos problemas. O Governo moderno não está preocupado em equipar o Estado para promover a sociedade uma melhor qualidade de vida. As ações são tomadas a medida dos acontecimentos, como vemos no caso dos bombeiros do Rio.

Texto: Márcio Carneiro -Rio de Janeiro, RJ

foto:militarlegal.blogspot.com

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