Busto de Haroldo de Andrade em Estação de Metrô

haroldo-de-andrade

DEPUTADOS INAUGURAM BUSTO DE HAROLDO DE ANDRADE EM ESTAÇÃO DE METRÔ

Familiares, amigos e admiradores do radialista Haroldo de Andrade estiveram, nesta segunda-feira (12/09), na Estação Glória do Metrô-Rio, zona Sul da capital, para a inauguração de um busto em homenagem ao “homem sorriso do rádio”. Por iniciativa do deputado Paulo Ramos (PDT), a imagem do jornalista ficará imortalizada no local. “Haroldo era um comunicador e, através do rádio, projetou o seu nome. Para aqueles que são radialistas, ele foi uma escola. Fico muito feliz por participar desse projeto que pretende eternizar o seu nome”, comentou o parlamentar, autor do projeto de lei 1.370/08, que possibilitou a criação do busto.

Essa foi a primeira homenagem que o jornalista recebeu depois de sua morte, aos 73 anos, em 2008, por complicações de diabetes. A viúva de Haroldo de Andrade, Dilma de Andrade, se emocionou durante o evento e agradeceu à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) pelo reconhecimento. “É muito bom ver isso porque se trata da primeira homenagem que ele recebeu depois de quatro anos de sua morte. Estamos muito felizes”, comentou Dilma, que lembrou ainda da forte ligação do marido com a cidade do Rio de Janeiro. “Ele era paranaense, mas sempre se considerou carioca. Deus foi bom com ele até no dia do seu falecimento, pois era aniversário da cidade”, contou.

A deputada Cidinha Campos (PDT), que também atuou em rádio, compareceu à inauguração. “É importantíssima a homenagem. É como se o Rio estivesse, agora, que correr atrás das pessoas que fizeram a história da cidade. O Rio não lembra de seus ídolos. É preciso que cada pessoa que passe por essa estação saiba da história do maior radialista deste País”, afirmou Cidinha. Haroldo de Andrade passou 45 anos como apresentador do programa que tinha o seu nome na Rádio Globo. O radialista inaugurou sua própria rádio no dia 7 de novembro de 2005.

Ele foi um dos mais respeitados profissionais do ramo no País e seu programa atingia todo o Estado do Rio, tendo como um dos pontos altos os debates sobre assuntos variados, atraindo ouvintes das mais diferentes idades e classes sociais.

(texto de Raoni Alves)

Um pouquinho da história …

Nascido no dia 1º de maio de 1934, Haroldo de Andrade Silva começou a trabalhar cedo. Ainda na infância arrumou um emprego como office-boy no comércio, mas sempre que podia seguia até os estúdios do Serviço de Alto-Falantes Iguaçú, na Praça Tiradentes, onde fez amizade com Vicente Mickosz, locutor da praça.

Naquela época, tais serviços de alto-falantes anunciavam produtos do comércio local e internacional e devido a seus conhecimentos junto a donos de lojas começou a fazer anúncios dos estabelecimentos no microfone.

Foi assim que a boa voz e a dicção muito clara chamaram a atenção do público, fazendo com que ingressasse na Rádio Clube Paranaense, onde passou a atuar como locutor, apresentando o Grande Programa RCA Victor, com repertório de músicas clássicas e líricas.

Aos 20 anos de idade, resolveu tentar a sorte como radialista no Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar na antiga Rádio Mauá, cuja freqüência era 1060 AM, onde os mesmos predicados que o celebrizaram do início de carreira logo chamaram a atenção do público carioca, numa época em que o rádio era o veículo mais popular.

Grandes emissoras possuíam grandes auditórios, onde havia espaço para o público assistir às irradiações, mas na Rádio Mauá a platéia não existia e logo Haroldo criou uma maneira diferente de permitir a participação do público nas transmissões. Foi quando lançou o programa Musifone, em que os ouvintes podiam telefonar para o radialista e pedir músicas, participar de pequenos jogos e concorrer a prêmios. Com isso, Haroldo inaugurou a interatividade no rádio brasileiro.

A atração era um sucesso e alcançou o primeiro lugar na audiência e com o sucesso, Haroldo chamou a atenção de emissoras maiores, como a Rádio Globo que o contratou em 1961.

Nessa época Haroldo passou a comandar um programa matinal que levava seu nome, o Programa Haroldo de Andrade, com intensa participação dos ouvintes. O grande momento do programa era a mesa de debates, com nomes importantes de diversos campos debatendo o noticiário: os ‘’Debates Populares’’, cujo formato passou a ser copiado por todas as emissoras do Brasil. Nos anos 70, mesmo durante a vigência do Regime Militar, Haroldo comandou os Debates Populares com inteira liberdade e sucesso, recebendo pessoas dos mais diversos matizes ideológicos, conquistando liderança absoluta de audiência por mais de 30 anos consecutivos. Isso fez com que o “Programa Haroldo de Andrade” recebesse o prêmio de “Melhor Programa Radiofônico da América Latina” em 1977, no 10º Fórum Internacional de Programação de Rádio. No mesmo ano, a revista norte-americana Billboard apontou Haroldo de Andrade como a Maior Personalidade no Ar.

Com o sucesso Haroldo foi convidado a trabalhar na televisão onde comandou atrações nas emissoras TV Excelsior, TV Tupy Guarani e na TV Globo, mas a velha paixão pelo rádio logo o reconquistaria e Haroldo voltaria a se dedicar com exclusividade ao veículo.

Seu público majoritário era composto por donas de casa, aposentados, motoristas de táxi e estudantes.

Sua popularidade gerou reações curiosas, como a de uma ouvinte que diariamente esperava o apresentador na porta da Rádio Globo vestida de noiva, pronta para casar com o ídolo. Na mesma entrada da emissora, diariamente, dezenas de fãs e aspirantes à carreira artística também costumavam abordá-lo, em busca de um autógrafo, uma palavra de carinho ou uma chance de divulgação. Foi assim que Haroldo foi responsável pelo lançamento das carreiras de vários artistas hoje consagrados.

O sucesso e a liderança de Haroldo de Andrade na Rádio Globo permaneceram inalterados ao longo de mais de quatro décadas, apesar de uma curta passagem pela Rádio Bandeirantes entre 1982 e 1983.

No final da década de 1990 reformulações no rádio começaram a afetar a posição de Haroldo na preferência popular.

A direção do Sistema Globo de Rádio resolveu nacionalizar a programação e embora Haroldo tivesse ouvintes em outros estados, ele já era completamente identificado com o público carioca e fluminense e resistiu à idéia de dirigir-se aos públicos de outras localidades. Com isso, a Rádio Globo acabou por demiti-lo em julho de 2002, num episódio doloroso para o velho apresentador.

Haroldo não foi informado com antecedência da decisão da direção da emissora, e só soube de seu afastamento quando indagou de um funcionário do Departamento Pessoal a razão da não renovação de seu contrato.

Naquele mesmo dia, o Programa Haroldo de Andrade saiu do ar, sem que Haroldo pudesse se despedir de seus ouvintes.

Incomodado com o fato de apenas administrar a sua empresa de marketing, Haroldo não se conformou com o fim de seu trabalho. Conversou com algumas outras emissoras, mas não entrou em acordo com nenhuma. Foi quando decidiu abrir a sua própria emissora, a Rádio Haroldo de Andrade, onde reuniu outros comunicadores de sua geração afastados das grandes emissoras, chegando ao terceiro lugar geral em audiência entre as rádios AM.

Aos poucos dificuldades técnicas e falta de recursos de propaganda foram derrubando a audiência. A saída repentina da comunicadora Cidinha Campos, sem explicações, também atrapalhou o crescimento da emissora.

A partir de 2007, problemas de saúde obrigaram Haroldo a se afastar dos microfones. Sofrendo de diabetes há alguns anos, ele passou a sofrer com problemas cardíacos e renais. Após um breve retorno, a necessidade da colocação de um marcapasso em 2007 e a dependência do tratamento de diálise retiraram novamente Haroldo dos microfones.

Em janeiro de 2008, após um tombo em sua casa, Haroldo novamente voltou ao hospital, onde foi constatada uma gangrena em sua perna que acabou por ser amputada. A fragilidade do paciente levou a equipe médica que o atendia a colocá-lo em coma induzido, de onde não mais sairia.

Haroldo de Andrade faleceu às 15 horas do dia 1º de março de 2008, vítima de falência múltipla dos órgãos.

Sua morte foi notícia em todos os veículos de comunicação do país e ao seu funeral compareceram mais de quinhentas pessoas, entre ouvintes, políticos e artistas. No dia anterior, o prefeito da cidade do Rio de Janeiro, César Maia, anunciou que batizaria uma rua da cidade com seu nome, promessa que depois foi cumprida, dando-se o nome de “Largo Haroldo de Andrade” ao antigo Largo da Glória, na Zona Sul do Rio de Janeiro e bem próximo ao edifício-sede do Sistema Globo de Rádio.

Convivi com Haroldo de Andrade durante boa parte da minha vida ouvindo e admirando essa fera da latinha, coisa de família.

Posso colocá-lo como um dos principais responsáveis por eu estar nessa correria atrás do meu sonho de um dia me tornar um comunicador de sucesso. Por enquanto vou estudando e acumulando conhecimento na Escola de Rádio, local onde Haroldo de Andrade deve habitar mesmo que em pensamentos.

Obrigado, grande mestre!

por RODRIGO BARROS

Fonte:http://oquevaipelomundo.blogspot.com/2010/06/haroldo-de-andrade-o-grande-interprete.html

Parcerias

Um comentário para “Busto de Haroldo de Andrade em Estação de Metrô”

  1. Saulo Dutra de Andrade

    Quanto a inauguração do busto do saudoso radialista Haroldo de Andrade no bairro da Glória.
    Consignamos como justa a homenagem àquele que foi grande animador das nossas manhãs através das ondas brasileiras do rádio.
    Saulo Dutra de Andrade
    Conselho Comunitário da Glória

Deixe um comentário

Parceiros



Ponte Presidente Costa e Silva (Rio-Niterói)

Natação Alla

Tempo